O segredo do sucesso na FIV pode estar no útero (e nem todo mundo fala sobre isso)

Quando o assunto é fertilização in vitro (FIV), é comum que todas as atenções estejam voltadas à qualidade dos embriões. Mas existe um fator igualmente importante e que pode ser o verdadeiro divisor de águas no sucesso do tratamento: a receptividade endometrial.


A explicação é simples, mas poderosa. Para que o embrião se fixe no útero e dê início à gravidez, o corpo precisa estar pronto para recebê-lo. Esse momento acontece em uma fase muito específica do ciclo menstrual, conhecida como janela de implantação, e dura apenas alguns dias.

Dra. Carla Iaconelli (Foto: Divulgação)


“É como se o útero tivesse um curto período em que abre as portas para acolher a vida. Fora dessa janela, mesmo embriões saudáveis podem não se implantar”, explica a Dra. Carla Iaconelli, especialista em Reprodução Humana.


A boa notícia é que a medicina reprodutiva já conta com exames capazes de avaliar se o útero está pronto ou o que pode estar impedindo essa receptividade.

“Com o ultrassom pélvico transvaginal, conseguimos observar o padrão e a espessura do endométrio. Já a histeroscopia diagnóstica com biópsia avalia se há alterações anatômicas, como pólipos, septos ou miomas submucosos, e permite investigar doenças como endometrite crônica ou alterações imunológicas”, detalha a médica.

Cada corpo tem seu tempo, e cada útero tem sua história. “Não basta termos uma boa semente. O solo também precisa estar fértil, saudável e pronto para acolher. É com esse olhar individualizado que acompanhamos nossas pacientes nessa jornada tão única
rumo à maternidade”, reforça a Dra. Carla.


Cuidar da receptividade endometrial é mais do que um detalhe técnico: é um gesto de escuta, paciência e respeito com o corpo da mulher. E pode, sim, fazer toda a diferença na realização do sonho de gerar uma vida.

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